A escalada das tensões no Oriente Médio acendeu um novo sinal de alerta para o agronegócio mundial. A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu que um eventual bloqueio no transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderá desencadear uma grave crise humanitária global, com impactos diretos sobre a produção de alimentos e a segurança alimentar em dezenas de países.
O alerta foi feito nesta segunda-feira pelo diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, responsável por um grupo de trabalho criado para evitar uma crise humanitária iminente relacionada ao conflito na região.
Segundo o representante da ONU, qualquer interrupção prolongada na circulação de fertilizantes pela rota marítima pode comprometer rapidamente o abastecimento agrícola global.
“Temos algumas semanas para evitar o que provavelmente será uma grande crise humanitária”, afirmou Moreira da Silva em entrevista à agência AFP.
De acordo com ele, o cenário mais crítico pode levar mais 45 milhões de pessoas à fome e à insegurança alimentar severa em diversas regiões do planeta.
Estreito de Ormuz é estratégico para fertilizantes e petróleo
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra parte significativa do comércio internacional de commodities essenciais para a agricultura.
A região voltou ao centro das preocupações globais após o aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Qualquer restrição à navegação no local pode afetar diretamente a logística mundial de insumos agrícolas, principalmente fertilizantes nitrogenados e derivados energéticos utilizados na produção rural.
Para o Brasil — um dos maiores importadores globais de fertilizantes — o risco é acompanhado com atenção pelo setor produtivo.
Agronegócio brasileiro monitora impacto nos custos de produção
O agronegócio nacional depende fortemente de fertilizantes importados para sustentar a produtividade das lavouras de soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar.
Uma eventual interrupção no fornecimento global pode provocar alta expressiva nos preços dos insumos, aumento dos custos de produção e pressão adicional sobre os alimentos no mercado interno.
Além dos fertilizantes, o petróleo também segue no radar do mercado. Uma escalada militar na região pode elevar os preços internacionais da commodity, impactando combustíveis, fretes, energia elétrica e logística agrícola.
Especialistas do setor avaliam que o atual cenário geopolítico aumenta a volatilidade das commodities e pode gerar reflexos diretos na inflação global de alimentos ao longo dos próximos meses.
ONU teme avanço da insegurança alimentar
A preocupação das Nações Unidas está ligada principalmente aos países mais vulneráveis, que dependem da importação de alimentos e fertilizantes para manter a produção agrícola e garantir o abastecimento interno.
Com custos mais elevados e menor disponibilidade de insumos, a produtividade agrícola global pode sofrer forte redução, agravando o quadro de insegurança alimentar já observado em regiões da África, Ásia e Oriente Médio.
O alerta reforça a importância estratégica da estabilidade logística internacional para o agronegócio mundial e amplia a atenção dos mercados para os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que já influencia preços do petróleo, fertilizantes, dólar e commodities agrícolas em diversas bolsas internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio



















