“A perspectiva da ética é o que vai fazer a diferença”, diz Marina Silva na inauguração do Pavilhão do Balanço Ético Global na COP30

A ação tem como propósito estimular uma reflexão profunda sobre o quanto o mundo já progrediu e o quanto ainda precisa agir para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C - Foto: Rogério Cassimiro/MMA

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O governo brasileiro inaugurou na última quarta-feira (12/11), em Belém (PA), o Pavilhão do Balanço Ético Global (BEG), localizado na Zona Azul da COP30. O espaço representa uma das etapas de conclusão da iniciativa, que integra os quatro círculos de liderança da conferência e busca engajar diferentes setores na construção de soluções éticas e colaborativas para enfrentar os desafios impostos pela mudança do clima. 

Ao longo da COP30, o Pavilhão sediará 23 atividades, com a participação de 30 instituições e 60 painelistas. Durante a abertura, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de preservar o legado do BEG. “Nós queremos que essa casa continue nos abrigando, que o BEG continue como parte do processo de discussão e mobilização de todas as COPs. Porque a perspectiva da ética é o que vai fazer a diferença”, disse.

Ainda em sua fala, Marina Silva ressaltou a força da cooperação entre países e setores. “Se a gente juntar as nossas vantagens comparativas e, em vez de transformá-las em vantagem competitiva, a gente transformar em vantagem colaborativa, como nós fizemos aqui, todos nós vamos nos orgulhar da resposta que fomos capazes de dar para o maior desafio da humanidade, que é enfrentar a mudança do clima.” 

Além da ministra, a inauguração do espaço contou com a presença da primeira-dama e enviada especial para Mulheres da conferência, Janja Lula da Silva; do presidente da COP30, André Corrêa do Lago; da CEO da COP30, Ana Toni; do assessor especial do Secretário-Geral da ONU para Ação Climática e Transição Justa, Selwin Hart; da ex-presidente do Chile e colíder do Diálogo Regional da América do Sul, América Central e Caribe, Michelle Bachelet; da diretora regional para a África no World Resources Institute e colíder do Diálogo Regional da África, Wanjira Mathai; e da diretora do Center for Earth Ethics e colíder do Diálogo Regional da América do Norte, Karenna Gore.

O presidente da COP29, Mukhtar Babayev, as ministras do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, além da presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, também participaram do evento. 

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“Dez anos após o Acordo de Paris, nós precisávamos disso. Precisamos devolver a ética a esse processo. E a realidade científica nos obriga a restabelecer um diálogo e um novo contrato com a população. Isso será um dos legados da COP30″, reforçou André Corrêa do Lago. 

Janja destacou o protagonismo feminino na ação climática. “Tenho dito que somos nós, mulheres indígenas, quilombolas, ribeirinhas e pescadoras, que estamos na linha de frente. No entanto, ainda não ocupamos de forma efetiva os espaços de decisão e poder, especialmente no que diz respeito às decisões da COP e às políticas de enfrentamento às mudanças climáticas”, reforçou. 

Com a criação do BEG, segundo Selwin Hart, a ministra Marina Silva e os colíderes dos seis continentes “garantiram que a justiça fosse colocada no centro da resposta à crise climática”. “Muitas vezes, quando estamos em salas de negociação, discutindo números e metas, esquecemos o verdadeiro motivo pelo qual estamos ali. E vocês nos lembraram disso, lembraram que este esforço existe para enfrentar uma crise que é, antes de tudo, ética”, reforçou. 

Com base na ética e na cultura, o BEG tem como propósito estimular uma reflexão profunda sobre o quanto o mundo já progrediu e o quanto ainda precisa agir para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, meta central do Acordo de Paris. A iniciativa, conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em parceria com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Inspirado no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, concluído na COP28, em Dubai, em 2023, o BEG segue o modelo que levou quase 200 países a firmarem compromissos para triplicar a capacidade de energias renováveis, dobrar a eficiência energética, frear o desmatamento e planejar uma transição justa, gradual e equilibrada para o fim do uso de combustíveis fósseis. 

A iniciativa também fortalece o mutirão global convocado pela Presidência da COP30 para a implementação dos pactos climáticos firmados pelos países signatários do Acordo de Paris na última década, desde sua assinatura, em 2015. 

“Nenhuma crise climática pode ignorar a dimensão ética. Quando falamos sobre clima, falamos sobre famílias que não têm o que comer, pessoas que perderam tudo em enchentes, vítimas de todo tipo de desastre. Falamos de histórias pessoais, de vidas reais. E jamais podemos esquecê-las”, disse Michele Bachelet. 

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Para Wanjira Mathai, combater os desafios da mudança do clima “não é uma negociação, é um fato. Trata-se do que as pessoas querem. E, para nós, no Balanço Ético Africano, entramos com força e estamos prontos para defender tudo o que discutimos e acordamos. Esse foi um processo feito pelas pessoas e continuará sendo para as pessoas”. 

Nos últimos meses, a iniciativa promoveu seis diálogos regionais em todos os continentes, reunindo líderes indígenas e comunitários, representantes políticos, religiosos, espirituais e da sociedade civil, além de cientistas, artistas e ativistas. O objetivo foi discutir os caminhos para uma verdadeira transformação ecológica, baseada não apenas em soluções técnicas, que já estão disponíveis, mas em um compromisso ético global para colocá-las em prática.

“A ética é o que mais precisamos. Ela não é uma ciência exata, mas a distinção entre o certo e o errado e as implicações disso para o nosso comportamento. O chamado feito por meio do Balanço Ético Global é algo profundamente poderoso”, complementou Karenna Gore. 

Caminho percorrido até a COP30

O percurso do BEG até a COP30 envolveu diálogos realizados em todos os continentes, com encontros em Londres, Bogotá, Nova Délhi, Adis Abeba e Sydney, reunindo lideranças políticas, sociais e espirituais. 

Os debates, conduzidos por colíderes como Mary Robinson, Michelle Bachelet, Kailash Satyarthi, Wanjira Mathai, Anote Tong e Karenna Gore, resultaram em um conjunto de recomendações prioritárias para os chefes de Estado e negociadores da COP30, compiladas em um Relatório Global. 

O processo também inclui Diálogos Autogestionados, que ampliam o alcance local do BEG, um deles realizado no Vaticano, antes do encontro da ministra Marina Silva com o Papa Leão XIV, em Roma.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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