Início positivo das cotações
O mercado mundial de café abriu novembro com ganhos expressivos para ambas as variedades: o contrato da Café arábica para dezembro/2025 negociou-se a cerca de US$ 3,9690 por libra-peso (~396,90 cents/lb), alta de 1,24% sobre o fechamento anterior. Já para março/2026 o contrato estava em US$ 3,7585 (~375,85 cents/lb; +0,97%) e para maio/2026 em US$ 3,6000 (~360,00 cents/lb; +0,71%).
Paralelamente, o Café robusta negociado em Londres para novembro/2025 marcou US$ 4.550 por tonelada (+0,57%), para janeiro/2026 US$ 4.563 (+0,51%) e para março/2026 US$ 4.484 (+0,47%).
Fatores que sustentam a alta
A recente valorização das cotações está amparada por dois vetores principais:
- Condições climáticas no Brasil: Regiões produtoras enfrentaram chuvas irregulares e escassas durante o último ciclo de florada, gerando preocupações quanto à abertura de floradas e ao pegamento para a safra 2026.
- Fatores geopolíticos e comerciais: A imposição de uma tarifa de 50% pelos EUA sobre o café brasileiro funciona como gatilho altista de curto prazo — considerando que os EUA são o maior consumidor individual e o Brasil, o maior fornecedor mundial.
Além disso, a queda continuada nos estoques certificados no Intercontinental Exchange (ICE) apoia a percepção de oferta mais restrita no mercado internacional.
Mercado físico brasileiro e desempenho recente
No Brasil, o arábica de referência para o Sul de Minas avançou cerca de 2,2% no último mês, passando de R$ 2.210,00 para R$ 2.260,00 a saca. Já o conilon (robusta nacional) do Espírito Santo subiu aproximadamente 6,5%, de R$ 1.305,00 para R$ 1.390,00 a saca — refletindo maior sensibilidade aos estímulos de preço e à mudança de demanda.
Panorama global e perspectivas para 2025/26
Nos cenários mais recentes:
- A produção brasileira para o ano 2025/26 está estimada em torno de 65 milhões de sacas (60 kg) — uma ligeira alta sobre o ano anterior, compensando uma queda esperada no arábica pela expansão da robusta.
- Para a variedade arábica brasileira, a estimativa aponta para cerca de 40,9 milhões de sacas — redução atribuída a clima adverso e ao ciclo bienal da espécie.
No cenário global, destaca‑se o aumento da produção de robusta, enquanto o arábica enfrenta maior risco de queda, elevando a atenção do mercado para o equilíbrio oferta‑demanda.
No relatório mensal da Rabobank relativo ao Brasil, além da redução nas exportações para os EUA (queda de 46% em relação ao ano anterior em certo período) destaca‑se a melhora na relação de troca (barra de café vs fertilizante) para os produtores.
O que observar nos próximos meses
- Clima e florada: O desenrolar da florada nas regiões produtoras brasileiras será determinante para a safra 2026 e poderá provocar novos ajustes nas cotações.
- Tarifas e comércio internacional: Qualquer modificação nas tarifas dos EUA ou realinhamento de fluxos de exportação poderá alterar o panorama de curto prazo.
- Estoques e logística: A combinação de estoques reduzidos e pressão logística (portos, transporte) pode manter o suporte aos preços.
- Demanda e consumo: A demanda global, especialmente em mercados emergentes, e o perfil de consumo no Brasil (que tem registrado crescimento) também devem ser monitorados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio





















