Marizete Lobo, moradora de Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, trabalha no horto medicinal da Unidade Básica de Saúde 09 da região há mais de um ano. “Desde que comecei a trabalhar no horto, sinto como um refúgio para mim. A minha saúde estava lá embaixo e hoje eu me considero 100% curada por trabalhar aqui com o verde”, diz.

- Para Marizete Lobo, que trabalha no horto medicinal da UBS 09 da Ceilândia, o local é um refúgio (foto: André Oliveira / MDS)
O horto medicinal da UBS 09 foi um dos destinos visitados nesta sexta-feira (4.04) como parte do segundo e último dia da programação da oficina da Estratégia Alimenta Cidades no Distrito Federal. Com participação de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a finalidade da iniciativa é promover um espaço de diálogo e trocas entre representantes governamentais, da sociedade civil e demais atores locais sobre as políticas públicas, programas e ações de segurança alimentar e nutricional realizadas no DF.
Para Érica Bruna, enfermeira de família e comunidade da UBS, “o horto na unidade básica de saúde, além da segurança alimentar, trouxe atividade para um grupo de idosos. Muita gente se identificou com o trabalho da terra. Hoje, nosso foco maior é na população idosa, para que se distraia, que colha os próprios frutos e que traga seus netos e seus filhos”, explica.
Para a enfermeira, o horto gera segurança alimentar para muitas pessoas e funciona como uma terapia no dia a dia. “Eles veem o trabalho deles crescendo, criam esse vínculo e, automaticamente, a gente, enquanto UBS, ganha pacientes muito mais saudáveis, com a cabeça muito melhor”, relatou Érica.
Ximena Moreno, médica veterinária e co-criadora da Rede de Horto Agroflorestal Medicinal Biodinâmico (Hamb) no DF, destaca que, nos hortos, são trabalhados os comportamentos pessoal e alimentício. “A gente tenta mudar o paradigma de cuidado, além de trazer o resgate dessa relação com a terra, que tanto precisamos nessa urgência climática”, conta.
Sol Nascente
A importância do envolvimento da comunidade no cultivo dos alimentos nas hortas e hortos do DF também é destacada por Jurailde Rodrigues, coordenadora do setor de horta da Cozinha Solidária do Sol Nascente, outro local visitado nesta sexta-feira como parte da oficina da Estratégia Alimenta Cidades no DF. Ela afirma que o trabalho na horta não se resume apenas ao cultivo de alimentos para a cozinha, mas é uma oportunidade de repassar os conhecimentos sobre agroecologia aos membros da comunidade.
Segundo Jurailde, o espaço oferece oficinas semanais à comunidade. “O intuito é reeducar a comunidade em educação ambiental. Nós fazemos a oficina com as mulheres da comunidade, com as crianças e com o pessoal que chega aqui. A maioria são mulheres, mulheres solo. A gente faz oficina com elas, ensina elas como plantar e também como fazer horta em casa. Elas têm todo o preparo e aí a gente faz a oficina do caixote e cada uma delas sai daqui com um caixotinho de hortaliça plantado para cultivar na sua casa”, comenta.
Ainda na região do Sol Nascente, a equipe visitou o espaço coletivo Mulheres do Sol, que teve início durante a pandemia atendendo as necessidades mais urgentes da região, como a fome. “Diante do que a gente viu, que o povo não estava comendo, a gente precisava da cozinha. Nós resolvemos que íamos transformar a cesta em comida para garantir que as crianças comessem e que a família se alimentasse de uma forma bem saudável. E para comer saudável, a gente precisava de uma horta”, relatou Marly Quermes, coordenadora do coletivo Mulheres do Sol.
A equipe também fez visitas no Centro de Referência de Assistência Social (CREAS) e no restaurante comunitário do Pôr do Sol, ambos na Ceilândia. Lorrana Grimes, consultora na coordenação geral de promoção de alimentação adequada e saudável da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan/MDS), destaca que a oficina é uma oportunidade de se aproximar dos territórios em todo o Brasil. “A gente propõe que os municípios organizem visitas técnicas para que possamos conhecer as áreas que trabalham com segurança alimentar”, explica.
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Alimenta Cidades
A Estratégia Alimenta Cidades busca garantir que as pessoas que vivem nas áreas urbanas tenham acesso a alimentos saudáveis e de qualidade. No Brasil, 85% da população vive nas cidades e 57% da população reside em 319 municípios, evidenciando a concentração populacional em municípios com mais de 100 mil habitantes.
Além disso, 48% da população do país está inscrita no Cadastro Único, sendo que 80,5% destes domicílios são urbanos. Diante de desafios como esses, a Estratégia Alimenta Cidades tem como objetivo principal ampliar a produção, o acesso, a disponibilidade, o consumo de alimentos adequados e saudáveis, priorizando os territórios periféricos urbanos e populações em situação de vulnerabilidade e risco social.
Assessoria de Comunicação – MDS
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome























